História de cinema

23/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

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 Paloma Torres Magalhães é uma jovem de 17 anos que mora em uma favela, mas isso não a impede de nada. Apesar das dificuldades, ela tem perseverança e quer mudar sua vida.

 

Vive com seus pais e dois irmãos na favela “Crime da Mala” na Vila Albertina, bairro da zona norte de São Paulo. Gosta de ler, ir ao cinema, à festas na casa de amigos e shows da Ivete Sangalo (a qual é vice-presidente do fã-clube). Mas sua vida não é fácil. Além das dificuldades financeiras, ela relata que os moradores enfrentam a violência diariamente. Em épocas críticas as mortes eram diárias. “Agora, o tráfico de drogas é banal e os moradores se acomodaram”, disse a jovem.

 

Estudante do terceiro ano do ensino fundamental, Paloma sempre se interessou por leitura e cinema. Essas influências ajudaram na escolha de sua futura profissão, só não decidiu, ainda, entre jornalismo e cinema. Ela também dá créditos à Fundação Gol de Letra, que proporcionou um novo rumo não apenas ao seu cotidiano, mas de parte da comunidade.

 

A Fundação Gol de Letra atende jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro e São Paulo. Idealizada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, possui programas que propõe o conhecimento, cultura e cidadania por meio de uma pedagogia diferenciada. Com o ensino público deficiente, o projeto “Virando o Jogo” proporcionou à Paloma um incentivo à educação. Na instituição que a jovem obteve seus primeiros contatos com Comunicação, aprendeu a fazer roteiros, mexer em aparelhos, produzir. Hoje tem um trabalho para a TV Futura em seu currículo. Um curta-metragem chamado “Educação e Conhecimento” apresentado no programa Crônicas Urbanas. 

 

Outros projetos

Em seu projeto de conclusão de curso de audiovisual da Fundação, a jovem e outras quatro jovens fizeram uma rádio, a “Rádio Ovo”, que foi aprovado pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e recebeu o financiamento através do programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI). Foram 18 mil reais investidos em equipamentos, só falta a licença do Ministério das Comunicações para colocar a rádio no ar.

Paloma é uma menina ainda, mas pensa grande. Além da “RádioOvo”, está envolvida em outros projetos na Fundação. Entre eles a adaptação para um filme da peça “A mãe” de Bertolt Brecht. Com previsão para o segundo semestre de 2009, o longa se baseia em alguns fatos que ocorrem na comunidade. A chacina que tirou a vida de seis moradores no começo do ano entra na história.

 

 

leia parte da entrevista feita com Paloma Torres Magalhães

 

 

Saiba mais:

www.goldeletra.org.br

www.decsp.org

 

Daniela Amor e Débora Padoin

 

O Fogo e o Gato

23/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

Menor do que a favela carioca, a Rocinha paulistana, que fica próxima da região do Campo Belo, se expande por 17.000 m², onde vivem cerca de 6.000 pessoas. No último sábado, dia 22, um incêndio consumiu aproximadamente 3.000 m² da favela, na Zona Sul de São Paulo, desabrigando mais de 600 pessoas. Um bebê está desaparecido.

Incêndio e favela são duas coisas que sempre andaram muito próximas. As cidades de madeira velha apresentam diversos fatores que levam à insegurança estrutural. Quando se fala em incêndio, um dos piores aspectos que geram os acidentes é o que se chama de “gato”, “gambiarra”. As ligações clandestinas que furtam energia elétrica, que é o mais perigoso dos esquemas, além de funcionarem bem, são perigosas. Ainda mais quando se encontram próximas de numerosas placas de madeira velhas, secas, ou não. Não importa, a junção de dois fios desencapados pode criar fagulhas e faíscas que caem em cima de madeirites e compensados, provocando uma pequena chama, que acaba por destruir as casas de centenas, descontrolada.

Acontecem dezenas de incêndio anuais em favelas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o número é incerto. No dia 19 de janeiro, duas favelas foram destruídas ao mesmo tempo pelo fogo em São Paulo, nas Zonas Leste e Sul. Para evitá-los, primeiramente, os gatos precisariam ser eliminados, mas isto não acontecerá. O roubo de energia elétrica -  que faz com que seu gasto seja socializado às pessoas que pagam as contas - é fruto das más condições de vida e baixas rendas financeiras encontradas nas favelizações. Desvia-se energia, ou fica-se sem luz.

Por Bruno Cirillo

Falta de Aprendizado e Interação com Núcleos

23/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

Pesquisas feitas pelo Observatório das Metrópoles, nas favelas Rio de janeiro, mostram que jovens que tem sua moradia perto das metrópoles tem o mesmo desenvolvimento que os das regiões mais afastadas do Centro e Zona Sul, tendo em vista compreender o quanto o meio influencia no desempenho do aluno.

Um dos pontos encontrados para essa falta desse papel da educação é a localidade das favelas que dificulta muito a participação dos jovens na vida acadêmica. “São várias as razões possíveis; uma delas é que a localização das favelas junto à áreas ricas oferece mais possibilidades do jovem conseguir emprego. Essa criança é levada mais facilmente e mais cedo ao mercado de trabalho dentro ou fora das favelas, abandonando os estudos”, explica o também professor titular do IPPUR.

Outro ponto que dificulta esse aprendizado é a falta de interação entre os núcleos. Uma criança que está em uma escola dentro da favela, poucas vezes tem a oportunidade de se envolver com outras, tornando mais difícil o conhecimento de um mundo exterior aquele que a comunidade oferece.

A falta de contato com uma realidade paralela e a super população nas salas de aula, faz com que essa juventude, alem de um baixo desenvolvimento, sofra com o ritmo pequeno de aprendizagem e até a não alfabetização por carência de atenção do professor.

Foto: Capa do livro de Victor V. Valla.

Por Paula Oliveira e Isadora Marinuzzi

As Drogas na Sociedade

22/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

O problema das drogas vem atingindo a sociedade brasileira há anos e nenhuma solução foi encontrada até hoje. O assunto é demasiado complexo para solucioná-lo, e é preciso primeiro descobrir quais são as causas e conseqüências. É evidente o transtorno gerado pela articulação desses bens ilícitos, gerando as economias cruéis do narcotráfico que elimina diariamente vidas de adolescentes, sobretudo nas comunidades pobres. Há também o surgimento de um poder paralelo que manda mais que o Estado e gera violência acabando com a qualidade de vida da cidade. E em escala maior ainda na economia, podemos citar como exemplo as inúmeras empresas que deixaram o Rio de Janeiro porque funcionavam em áreas de risco, dominadas pelo tráfico.

Viciados, negociantes, e todos os seres humanos têm tendência a isolar do ego tudo o que pode tornar-se fonte de tal desprazer, e lançar isso para fora de modo a criar um puro ego em busca do prazer. Esse processo tem início quando somos crianças recém nascidas e não distinguimos o que é nosso corpo e o que pertence ao mundo externo. Gradativamente vamos aprendendo e somos influenciados por diversos estímulos, e ficamos fortemente impressionados por certas fontes de excitação que durante esse período podem ser o próprio bebezinho encantado com o seu pé, ou mais tarde, um adulto reverenciando seu baseado.

Visto que o que nos rege é o principio do prazer, somos dominados totalmente por isso, mas jamais conseguimos saciar essa vontade sem limites. Tudo ao nosso redor é contrário a isso, e toda nossa satisfação é momentânea. Nós só conseguimos absorver um prazer intenso se tiver contraste, afinal o que se prolonga nos gera apenas uma sensação de contentamento. No mundo das drogas isso é evidente, no modo pelo qual vemos pessoas tomando doses cada vez maiores para impor esse contraste ao seu contentamento. Toda satisfação de um instinto é por nós chamada de felicidade, podemos ter esperanças de nos libertar de uma parte de nosso sofrimento agindo sobre impulsos instintivos. Logo, a realidade é vista como única inimiga e centro da privação de todo nosso prazer, o que justifica então o uso das drogas como fonte de escapismo. Talvez então o grande dilema seja; como solucionar o problema das drogas, se ele está tão intrinsecamente ligado a nossa busca pela felicidade.

Por Gabriela  Soeltl e Veridiana Jordão

Falta de Saneamento Básico

22/ Novembro/ 2008 - Leave a Response
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Crianças brincam em esgoto na Favela do Matadouro

As favelas são consideradas como uma ilha cercada de cidades. Pois nelas encontram-se uma política particular, onde seus próprios moradores decidem o que é bom ou não para eles. Assumindo esse papel de autonomia, os governantes abrem mão de suas funções e não interferem nas favelas quando essas precisam de ajuda. Um caso agravante, que está preocupando a população dessas comunidades, é a falta de saneamento básico.

Saneamento básico é um conjunto de procedimentos adotados numa determinada região que visa proporcionar uma situação higiênica saudável para os habitantes. Atividades como: tratamento de água, coleta de lixo e canalização de esgotos. Atividades normais para cidadãos da classe alta e média, mas que está longe de ser realidade para aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza.

A escassez de saneamento básico expõe os moradores a doenças como amebíase, cólera e diarréia. Isso ocorre, pois os moradores normalmente não possuem sequer um banheiro em casa, o que os levam a fazer suas necessidades em sacos plásticos e jogarem em qualquer lugar que não seja habitado. A OMS (Organização Mundial da Saúde), em junho de 2007, divulgou que a falta de água tratada e de redes de esgotos provocam a morte de 15 mil brasileiros por ano.

Com esses números absurdos de mortes e a vida precária que esses moradores levam, está mais do que na hora do governo se preocupar de verdade com essa questão. Há projetos governamentais que visam uma melhoria da saúde publica em favelas, mas o processo é lento e o resultado demora a aparecer, enquanto pessoas ainda morrem ou tem a saúde seriamente prejudicada, nós vemos a ineficiência do governo em resolver essa situação.


Foto: Projeto de Extensão Favela-Bairro

Por Débora Padoin

Rádios Comunitárias

21/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

A rádios comunitárias atuam hoje com grande influência por todo o Brasil, com o objetivo de torna-se um veículo educativo da grande massa excluída e residente de periferia e favelas.  A rádio comunitária é muito importante porque, antes de mais nada, é a mídia da comunidade para a comunidade. As rádios são independentes, com linguagem coloquial e bem próxima dos moradores transmitem noções de cidadania, notícias e cultura.

Mesmo depois de uma lei que regulamenta o serviço de radiodifusão comunitária, desde que as rádios se restrinjam a uma potencia de 25 watts e um limite de alcance de 1 quilometro de raio, grande parte delas são vítimas de dura repressão do Estado, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Polícia Federal

Há no Brasil de 10.000 a 15.000 rádios comunitárias. A grande imprensa é inimiga dessas rádios porque elas estimulam a inteligência, promovem a cultura e fomentam a educação e a cidadania. As emissoras comerciais não querem que o povo ganhem conhecimento de seus direitos, mas que permaneçam  alienados e pasteurizados.

Em busca da democracia na comunicação as rádios comunitárias procuram , algumas delas na ilegalidade, tornar pública as vozes dissidentes que contrariam o pensamento único.  Reverter a idéia de que a única noticia que  provém das  favela  seja a de tiroteios , assassinatos e trafico de drogas também é objetivo destes pequenos veículos  que são sistematicamente engolidos pelo mercado. 

Por Suellen Gonçalves e Ligia Conconi

                  

Tramas Urbanas

20/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

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A cultura das cidades pode ser lida na coleção “Tramas Urbanas”, da Editora Aeroplano. Temas como: poesia na periferia, a arte dos grandes centros e a arte das favelas, exclusão social, hip-hop, moda para prostitutas, jornalismo nas comunidades e rap são alguns dos abordados por diversos autores.

Os costumes originados na periferia são a grande novidade do século XXI. Estão gerando numerosos trabalhos acadêmicos, seminários e teses. Os movimentos culturais das favelas estão repercutindo tanto que, aos poucos, estão saindo dos limites da exclusão e dando origem a uma nova cultura urbana.

O objetivo da coleção é informar que as comunidades têm sim muita cultura dentro delas, ao contrário do que muita gente pensa. “O grande mérito desta coleção é a possibilidade oferecida a artistas, produtores e novos intelectuais, nascidos na periferia, ou que convivem com as comunidades, de exercitar a escrita como mais uma forma de comunicação”, explica Ecio Salles, autor de um dos livros. “Em termos de conteúdo, os livros refletem um Brasil que não fecha os olhos para questões relevantes, como as desigualdades raciais e sociais”, ele acrescenta.

Foto: Capa do livro Notícias da Favela, de Cristiane Ramalho.

Por Ligia Conconi e Suellen Gonçalves

Um Tour pela Rocinha

20/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

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As favelas cariocas são as mais conhecidas e surgiram por volta de 1900. São regiões urbanas que possuem um nível baixíssimo de qualidade de vida e seus moradores são pessoas de baixa-renda. As moradias são populares e foram construídas pelos próprios moradores com materiais das mais diversas origens, como portas e pedaços de madeira encontrados nas ruas. O termo utilizado para nomear essas “cidades paralelas” vem de uma planta predominante nos morros onde os primeiros desabrigados construíram suas casas. Ela é típica da caatinga, muito resistente à seca e é denominada ‘favela’.

A favela da Rocinha é a maior de toda a América Latina e, de acordo com o Censo do IBGE de 2000, tem cerca de 56 mil habitantes. Esses dados chamam a atenção de pessoas do mundo todo, que ficam curiosas para saber como realmente é o cotidiano dos moradores da favela.

Foi pensando nisso que a agência Exotic Tours criou a Favela Tour – Rocinha’s Tourism Workshop. A proprietária da agência, Rejane Reis, é a coordenadora da Oficina de Turismo da Rocinha, que treina moradores locais para guiarem turistas em um tour surpreendente pela comunidade. Assim, os visitantes podem ver de perto o modo de vida de quem mora na Favela da Rocinha e têm uma visão real do que é uma comunidade carente.

Para reservas, ligue para (21) 9222-6972 ou (21) 7827-3024 e para maiores informações acesse o site do projeto no endereço www.favelatourismworkshop.com.

Foto: Panorama da favela da Rocinha. <http://territorioscuola.com.br>

Por Isadora Marinuzzi e Paula Oliveira

Crianças de Favela nas Escolas

19/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

As crianças das zonas periféricas das cidades vivem em situações precárias, sem saneamento básico, baixa condições de moradia e convívio com a violência social e doméstica. O que Ocasiona dificuldades aprendizagem, como falta de atenção e concentração, prejudicando o desenvolvimento escolar.

Para ajudar os professores a trabalharem com esses alunos a prefeitura de São Paulo oferece a formação no horário coletivo (articulação, teoria e prática), material paradidático, entre outros. Há também projetos voltados para os alunos da primeira série como o Ler e Escrever, TOF (toda força ao primeiro ano), no qual para a professora de ensino fundamental-1, Gilza Clementino de Carvalho Orsi, é um projeto que vem trazendo bons resultados, mas que deveria ser acompanhado de outros projetos, que dessem continuidade a este.

Segundo a professora Gilza Clementino, as oportunidades para aprender são dadas para todos, com profissionais comprometidos com a educação e ambiente alfabetizador em sala de aula. Mas para a criança aprender depende dela e do acompanhamento dos pais. “Eu acredito que todos são capazes e têm oportunidades de aprenderem independente das suas origens, contudo o apoio dos pais é fundamental”, disse.

Por Veridiana Jordão

Kassab aposta alto na reurbanização de favelas

18/ Novembro/ 2008 - Leave a Response

Da AE

A grande aposta que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) faz para marcar o sucesso da segunda gestão é a reurbanização de favelas, para a qual prevê verba de R$ 1,2 bilhão, quase que exclusivamente em regiões da periferia paulistana. Esse investimento para melhoria de áreas carentes será complementado com forte direcionamento de recursos para educação e saúde.

Kassab não cansa de se gabar do projeto, que rotula como “o maior programa social do continente”. Até o fim da nova gestão, ele quer urbanizar 99 favelas do Município e prevê uma “revolução urbana” nessas áreas. Na maioria dos casos, as pessoas são removidas e instaladas em casas alugadas pela Prefeitura, enquanto as novas moradias são construídas. No fim, depois de feita a reconstrução do local, as famílias são realocadas nos locais onde viviam.

Será?

Todo período de eleição é marcado por milhares de promessas que muitas vezes não se cumprem. As favelas sempre são lembradas pelo fato de ter número considerável de eleitores. O candidato que consegue conquistar essa população praticamente garante a sua vitória.

O grande problema é que na maioria das vezes depois de eleito o governante simplesmente some. É totalmente aceitável que um cidadão que passa milhares de dificuldades se venda por uma cesta básica, material de construção, ou até mesmo uma consulta médica, tudo que deveria ser obrigação do estado.

Podemos simplesmente condenar aquele que se “vende” ou acredita nas falsas promessas dos políticos do país?

Por João Schleder